Panorama atual sobre a Obesidade: Quais tratamentos estão autorizados pela ANVISA?

 

A obesidade é uma epidemia mundial que não se restringe apenas aos países desenvolvidos. Segundo a OMS, aproximadamente 1,6 bilhões de adultos estão com sobrepeso e pelo menos 400 milhões são obesos. Apontada como um dos maiores problemas  de saúde pública no mundo, projeta-se que em 2022 cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões obesos.

A doença está associada à comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, doença arterial coronariana, alguns cânceres, apneia obstrutiva do sono, osteoartrite, dislipidemia, depressão, infertilidade e outras. Só a hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer correspondem a 72% de óbitos no Brasil.

A obesidade caracteriza-se pelo índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m2 e o sobrepeso entre 25 e 30 kg/m2. Para calcular seu IMC é muito fácil, basta dividir seu Peso (ex: 80kg) pela sua Altura multiplicada por ela mesma (ex: 1,67m). Neste exemplo:

ATENÇÃO: Este cálculo de IMC não leva em consideração a sua porcentagem de massa muscular ou de gordura, por isso é importante buscar um atendimento médico ou nutricional para o um diagnóstico mais preciso.

Alguns médicos ainda se mantem relutantes quanto a prescrever medicamentos contra a obesidade. Há uma crença de que o tratamento da obesidade não exige farmacoterapia, bastando apenas a reeducação alimentar, que é trivial para o tratamento de distúrbios alimentares. Porém muitos clínicos observarem que grande parte dos pacientes não conseguem mudar seus hábitos alimentares e perder peso sozinhos, a reeducação alimentar muitas vezes não é fácil para o paciente que tem compulsões alimentares ou hábito de ingerir altas quantidades de calorias por dia.

Os medicamentos disponíveis podem auxiliar na perda de peso de 5% a 15%, melhorando significativamente as comorbidades associadas, como hiperglicemia, dislipidemia, hipertensão, má qualidade do sono devido a apneia obstrutiva, dores articulares devido ao sobrepeso, autoestima e etc.

Medicamentos com ação sacietógena e anorexígenos auxiliam na perda de peso por modular a vontade de comer, ajudando o paciente a respeitar a dieta proposta e evitando o consumo de calorias em horários e quantidades inapropriadas. Os medicamentos anorexígenos são eficazes na promoção da perda de peso, no entanto apresentavam um grau de risco-benefício negativo pois alguns pacientes apresentavam efeitos adversos graves e por isso alguns destes medicamentos foram retiradas do mercado.

Com isso desde 2010 a comercialização de medicamentos anorexígenos como a anfepramona, femproporex e mazindol estava proibida no Brasil, sendo comercializada apenas a sibutramina. Nesse caso a agência reguladora , ANVISA, entendeu que a relação risco-benefício no uso destes medicamentos seria prejudicial ao paciente. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia ressalta que esta avalição deveria ser feita pelo médico, uma vez que só ele poderá acompanhar os resultados do tratamento e terá a responsabilidade de continuar ou descontinuar o uso do anorexígeno perante a eficácia ou não do tratamento e a incidência dos seus efeitos adversos.

Em julho de 2017 a nova Lei Federal 13.454 aprovada pela presidência autorizou a comercialização de algumas substâncias anorexígenas. Esta mudança na legislação irá fomentar o retorno dos anorexígenos no mercado brasileiro e os médicos questionam-se se poderão ou não prescrever fórmulas manipuladas contendo substâncias anorexígenas.

Referências
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO, disponível em  http://www.abeso.org.br/atitude-saudavel/mapa-obesidade

VIGITEL BRASIL, 2014, Ministério da Saúde.

Comunicado Oficial da SBEM, disponível em https://www.endocrino.org.br/anorexigenos-liberados-governo/

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