ALERTA PARA A INFERTILIDADE MASCULINA: Homens Produzem 50% Menos Espermatozoides em 4 décadas

Infertilidade é a incapacidade de um casal, com vida sexual ativa e sem uso de métodos contraceptivos, obter uma gravidez espontânea em um ano. Esta pode ser primária, caso o casal nunca tenha tido um filho, ou secundária, caso ocorra após uma gravidez anterior bem sucedida.

Aproximadamente 15% dos casais em idade fértil tem dificuldade em fertilização. Segundo a OMS, em aproximadamente 30% dos casos de infertilidadedo casal, a causa relaciona-se unicamente com o homem, em 35% unicamente com a mulher, em 20% com ambos e, em 15% dos casos, não é possível identificar uma causa. Desta forma, a infertilidade masculina contribui para aproximadamente 50% da infertilidade global.

Dentre as condições clínicas mais comuns de infertilidade masculina estão as disfunções sexuais, defeitos testiculares primários na produção do esperma, endocrinopatias (disruptores endócrinos) que afetam a espermatogênese, defeitos no transporte do esperma e causa idiopática.

 

Um dado alarmante

 

Um estudo publicado em junho de 2017 na revista Human Reproduction Update realizou uma análise sistemática de 185 artigos onde foram comparadas as concentrações de espermatozoides em 42.935 homens de 50 países dos seis continentes entre os anos de 1973 a 2011.

A fim de tornar os resultados mais fidedignos, os pesquisadores ajustaram parâmetros para anular possíveis interferências de fatores como: Idade, tempo de abstinência de ejaculação, métodos de coleta do sêmen e de contagem de espermatozoides, escolha da população, critérios de exclusão e análises de sensibilidade.

Os resultados demonstraram que a concentração de espermatozoides diminuiu 1,4% ao ano, levando a uma queda de 52,4% no período de 38 anos. A contagem total de espermatozoides apresentou resultados semelhantes, com queda média de 1,6% ao ano e uma redução total de 59,3%. Segundo os autores a queda nas concentrações totais de espermatozoides foi um pouco mais acentuada a partir de 1995.

Esta diminuição nas concentrações de espermatozoides significa que uma proporção cada vez maior de homens está entrando para classificações de subfertilidade ou infertilidade.

Os pesquisadores ressaltaram que estes achados são compatíveis com as tendências de câncer testicular, níveis de testosterona reduzidos, mudanças no início da puberdade masculina e aumento da morbidade geral e mortalidade.

 

Embora o estudo não tenha sido projetado para determinar a causa desta redução, a contagem de espermatozoides tem sido associada a fatores ambientais e de estilo de vida, inclusive aos fatores de desequilíbrio endócrino, ao tabagismo das gestantes durante uma janela crucial do desenvolvimento do sistema reprodutor masculino e a exposição a pesticidas.

 

FATORES COMUNS RELACIONADOS À INFERTILIDADE EM HOMENS

  • Hábitos ou trabalho que aumente a temperatura escrotal
  • Geração de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs)
  • Consumo frequente de álcool, drogas e cigarros
  • Alguns tratamentos medicamentosos
  • Estresse psicológico
  • Apneia do sono
  • Obesidade

 

Tratamentos que mantenham a integridade espermática e protejam o material genético já fazem parte do arsenal terapêutico e estudos que comprovam sua eficácia já estão disponíveis na literatura científica. O tratamento eficaz e mudanças de hábitos prejudiciais tornam-se importantes para homens com contagem reduzida de espermatozoides, infecção das glândulas acessórias ao sistema reprodutor ou expostos a fatores estressantes que geram EROs prejudiciais ao material genético.

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Como tratar a infertilidade masculina